“Poesia de combate” abre as portas do Poetas d’Alma 2020. Esta quinta-feira 20 artistas mostram-se de diferentes cantos do mundo

“Poesia de combate” abre as portas do Poetas d’Alma 2020. Esta quinta-feira 20 artistas mostram-se de diferentes cantos do mundo

Estamos mais internacionais do que ano passado, com este formato digital e virtual que descobrimos nestes tempos do novo coronavírus, conseguimos reunir muitos países, distantes, que não seria fácil convidar a todos” começou por dizer Carolin Brugger, a directora do CCMA que foi o palco que acolheu um grupo restrito de pessoas para assistir presencialmente à abertura, enquanto nas redes sociais outras centenas de pessoas espalhados pelo mundo estavam atentos ao início da segunda edição do Poetas d’Alma – Festival Internacional de Poesia e Artes Performativas.

 

Na verdade os discursos serviram de suspense para o que estava por vir. Tchaka, o poeta e declamador, elevou a voz da poética da revolta pela barbárie, pelos que sofrem e desesperam por dias de sossego e paz em Cabo Delgado, onde o terror impera e há milhares de deslocados que vivenciaram o horror de uma guerra sem rostos. E para dizer com poesia o poema do “chamamento à paz”, Tchaka ia ordenando na metáfora o som da timbila, o património cultural. “Fala timbila, além das armas que ensurdecem a voz de Cabo Delgado/ fala timbila, e distribui a felicidade pelos filhos de Cabo Delgado, que nos seus ouvidos ecoa a tristeza”, podem traduzir-se assim, as palavras do declamador vestido a peles de animais e acompanhado por um timbileiro que fazia cantar o poema. Era o abrir às portas.

 

O Poetas d’Alma, um festival que abraça o género das ruas, repentista, rebelde e quase desconsiderado, o slam e spoken word. Mas uma juventude que precisa usar a palavra para denunciar e invocar as suas aspirações seja pela justiça e direitos sociais, como nos poemas apresentados pela brasileira Yarungai que se encontra em Maputo, mas sem antes ouvir-se a cubana Alena Bravo que a sua poesia ao toque do piano.

 

Em meio a toda essa rebeldia e o palco recebeu representantes do Governo e da Associação dos Escritores Moçambicanos que deram o ar “formal” ao evento.

 

Emanuel Dionísio, que falava em representação da Ministra da Cultura e Turismo, realçou a prática da inclusão social dos fazedores de artes e culturas do país. “O evento contribui para a virilização da interação com a comunidade, a descoberta dos seus costumes e tradições e revelação das expressões de povos e seus saberes que apesar de sofrerem influências do tempo e da globalidade, permanecem na história e identidade próprias”, disse Dionísio que destacou o facto de mesmo em plane pandemia, haver capacidade de realização do evento.

 

Ao pensarem em fazer um evento nas dimensões desta diversidade e complexidades, sejam linguísticas, sejam da própria paisagem dos textos e contextos, o Poetas d’Alma vai ao encontro das nossas aspirações e objectivos como Associação dos Escritores Moçambicanos, ver a literatura moçambicana conhecida e reconhecida internacionalmente e colher experiencias do mundo para o nosso próprio crescimento e posicionamento nesta aldeia global”, afirmou Carlos Paradona Rufino Roque, secretário-geral da agremiação que reúne escritores moçambicanos, a AEMO.

 

Deusa d’África e Tassiana Tomé, vozes de moçambique nesta quinta-feira

 

No seguimento do Poetas d’Alma, para este segundo dia, 19 de Novembro, a partir das 17 horas entram em ação cerca de 20 artistas, de Moçambique a África do Sul, passando por Eswatini, Quénia, até a Alemanha, Brasil e Estados Unidos de América.

De Moçambique a poetisa e declamadora, Deusa d’África será a voz em palco. Igualmente a artista multifacetada, com performance de poesia e música, Tassiana Tomé, vai apresentar-se.

Do Brasil, um dos destacáveis da cena da poesia do estilo slam, Emerson Alcalde vai intervir. Na música, a voz raggae da Alemanha, Uwe Banton é uma das atrações, enquanto que da América, a rapper Akua Naru fará a actuação.

 

VEJA COMO FOI O EVENTO DA ABERTURA

 

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