Covid-19 em Moçambique: Sector Cultural e Criativo regista perda de 35 milhões de meticais

Covid-19 em Moçambique: Sector Cultural e Criativo regista perda de 35 milhões de meticais

Uma pesquisa, chancelada pela AMOTE, dá a conhecer o impacto da pandemia Covid-19 no Sector Cultural e Criativo em Moçambique. O prejuízo de cerca de 35 milhões no sector, sobretudo pelo cancelamento de eventos, empurrou para incerteza trabalhadores independentes e até empreendimentos estruturados.

 

Os resultados são preliminares. Mas já muito significativos para uma área que é, a par do Turismo, das que mais se ressentiram pelas restrições impostas pela Covid-19.

 

Os dados colectados demonstram consideráveis fragilidades do sector cultural criativo, quer como trabalhadores independentes, quer como empreendimentos estruturados, faz saber a pesquisa coordenada por Matilde Muocha, Alvim Cossa, Isabel Jorge, Joaquim Matavel, Dadivo José e chancelada pela Associação Moçambicana de Teatro, AMOTE.

 

Para estudar os efeitos da pandemia, os coordenadores dividiram o sector cultural e criativo em dois grupos: trabalhadores independentes e empreendimentos (estruturados).

 

Os trabalhadores independentes do sector cultural e criativo, faz saber a pesquisa, cancelaram cerca de 754 eventos, sendo a maioria ligada a performances artísticas em música, teatro e dança. “Estes cancelamentos significaram a perda de uma renda global avaliada em cerca de 1 milhão e setecentos mil meticais”. 

 

Já os empreendimentos culturais e criativos, escrevem ainda, cancelaram um  total  de  306  eventos e a perda está em cerca de 33 milhões de meticais durante o período de dois meses de restrições impostas pelas medidas de prevenção contra a Covid-19.

 

Contas feitas, olhando para os dois grupos, nota-se um prejuízo de quase 35 milhões de meticais. A pesquisa faz notar que as fragilidades eram já existentes no sector e que a pandemia só veio reforçar.

 

Agrava ainda mais a crise, o facto de o grosso dos profissionais do sector cultural e criativo, que estão entre os 25 e 49 anos na grande maioria, terem renda mensal, também na sua maioria, entre 5 e 15 mil Meticais. “O que não lhes confere segurança de subsistência em períodos de crise”, notam os coordenadores. E acrescentam que a não existência de cadastro da grande maioria ao nível da segurança social fragiliza ainda mais estes profissionais.

 

E não é diferente a situação dos empreendimentos culturais e criativos, constituído na sua maioria por micro e  pequenas   empresas,    o que as torna mais susceptíveis de sucumbir a crises e instabilidades  contextuais, faz saber a pesquisa.  “Tudo indica que não há, neste tipo de empreendimentos, reservas para subsistência”, escrevem.

 

Empreendedores culturais e criativos, bem como os profissionais independentes têm um défice de sustentabilidade das suas organizações, concluem. “Isto tem como consequência a fraca resiliência dos seus empreendimentos em situações de crises económicas, sociais e politicas extremas”.

 

 Estas organizações, sugerem, devem definir mecanismos e estratégias que permitam robustez financeira das organizações, tais como o investimento em sectores alternativos  e/ou  investindo  em  mercados  de  acções.  

 

O estudo faz notar ainda que, embora os dados possam ser indicativos do impacto sobre a pandemia Covid-19 ao sector cultural e criativo, é importante que os próximos passos nesta pesquisa conduzam para a verificação da fiabilidade dos dados obtidos, expondo-os à triangulação através da aplicação de técnicas adicionais de pesquisa. No entanto, o estudo já avança medidas para mitigar os efeitos da crise a curto e médio prazo. “Integração do Sector Cultural e Criativo para acções de intervenção social durante e após crises”, sugerem os coordenadores

 

A pesquisa, que se pretende de dimensão nacional, terá a duração de 3  meses,  de  14  de  Março  a  14  de  Junho  de  2020, período que se prevê que haja confinamento e restrições de aglomerações.

 

 

LEIA TAMBÉM