Fazer as contas ao ano

Fazer as contas ao ano

Mais uns dias novo ano. A cortina começa fechar. E é altura, quando a memória ainda é fresca, de olhar para trás e fazer as conta ao ano. Há o que celebrar? Talvez haja, se pensarmos no que aconteceu e descontarmos o que não aconteceu. Porque muita coisa não aconteceu. E não acontece. E já nos habituamos. O que há para celebrar?  O mercado editorial continua animado. Vários títulos lançados. Mas o número de exemplares saídos por edição, entre 200 e 500, continua a dizer muito sobre a quantidade de  leitores ou sobre o número de leitores com capacidade de aquisição de livros? Enfim, mina a literatura enquanto negócio.


Há mais para celebrar no Teatro. Assistiu-se, este ano, ao florescimento de novas propostas, acompanhado pelos espaços alternativos. Tudo à luz do Teatro Contemporâneo, que quer fugir das amarras das salas convencionais, e forma um público que também lota as salas tradicionais, quando à isto é chamado.  Quase que semanalmente um espectáculo era  anunciado – e apresentado. Houve a primeira edição do Festival de Teatro de Rua Ku Phanda, depois do ensaio, ano passado. E mais uma, a 15ª, edição do Festival Internacional de Teatro de Inverno. E os anos redondos ao mesmo tempo que convidam para reflexão, invocam o fim, sobretudo, num país que fecha os olhos as artes e cultura. Esta 15ª edição, podia marcar o lançar da toalha ao chão. But they don’t give up.  Já foram abertas as candidaturas para o FITI 2019, pelos menos, por mais um ano sobrevive. Respiremos...
 
            E porque o Teatro leva-nos ao  Cinema... “Comboio de Sal e Açucar”, este filme que nos colocou na rota do Óscar, ainda que lá não tivéssemos chegado, colocou às costas de Melanie de Vales Rafael o título de melhor jovem actriz africana. Há música deu-nos menos do que o ano passado. Talvez não possamos celebrar muito mais do que o songbook de Fany Mpfumo. E enquanto esperamos pelo KINANI, uma Semana da Dança Contemporânea fez-nos à sala. As exposições de artes plásticas e fotografia começam já a tornar-se culto.
            Mais uns dias, novo ano. Esta é a última newsletter de 2018. Esperamos que a leitura torne leve o ano que está à porta.

 

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